terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um dia à noite

Era mais um dia...
Apenas um dia
como qualquer outro.
Sem novidades,
sem surpresas,
sem nada.

E por ser assim,
como qualquer outro,
foi que se tornou tão especial
quando as idades,
com todas as suas belezas,
Emudeceram, caladas.

O brilho do sol se foi,
O gorjear dos pássaros não se ouviu,
O grito das crianças cessou.
Do campos, não se via as cidades,
Restaram as proezas
nas memórias marcadas.

O que era um dia tornou-se noite.
Com seus temores, seus terrores,
sua solidão e suas angústias.
As belezas tornaram-se fealdades.
Mas erguidas com leveza
sobre a vida forjada.

O corpo cansado
e o olho míope, quase cego
sentiram-se traídos...
Onde andariam as amizades?
Ah!, restava apenas uma certeza:
que da vida não se leva nada.

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